O pensar filosófico, pode e vai muito além daquilo que normalmente imaginamos. Ao ler este texto me lembrei das aulas de Metafisica, na Faculdade de Filosofia, o que me permitiu mudar uma série de conceitos e paradigmas que carregava comigo, sem sequer me permitir pensar nestes. Tal permissão não era por bloqueios pré-estabelecidos, mas por uma forma massificada de não raciocinar além daquilo que me era pedido, de certa forma.
A descoberta de que o horizonte é muito mais amplo do que imaginamos e/ou visualizamos de nossas janelas, me impulsiona na busca de cada vez mais descobrir o novo, aquilo que me acrescente e possa me fazer construir novos conceitos e assim mudar os meus ângulos de pensamento, fomentando em mim o caminho de cura pessoal, e poder estimular este nos que estejam à minha volta.
Espero que tenham uma excelente leitura
A SABEDORIA DE PITÁGORAS
Elimina as Causas do
Sofrimento
Carlos Cardoso
Aveline
Desânimo, preocupação, ansiedade?
Experimente deixar de lado as inúmeras urgências que provocam o sofrimento do
cidadão moderno. A filosofia é uma atividade prática. Respire fundo um
instante, relaxe os músculos e decida pensar por alguns minutos em um assunto
simples e eterno, o tema mais importante da vida: a felicidade
humana.
Mesmo estando instalado no século 21, você pode dialogar, através da filosofia, com os principais pensadores da Grécia, de Roma e da Índia. Basta desligar um pouco a televisão e as preocupações da semana que passou. Parar um pouco não é perda de tempo. Felicidade é bom negócio: quem vive relaxado e de bem com a vida tem melhores chances de êxito em todas as áreas de atividade.
Mesmo estando instalado no século 21, você pode dialogar, através da filosofia, com os principais pensadores da Grécia, de Roma e da Índia. Basta desligar um pouco a televisão e as preocupações da semana que passou. Parar um pouco não é perda de tempo. Felicidade é bom negócio: quem vive relaxado e de bem com a vida tem melhores chances de êxito em todas as áreas de atividade.
O filósofo não é alguém
que fala coisas complicadas e que só ele entende. É um cidadão que vive de maneira simples.
Ele dedica sua vida a compreender o mundo e a si mesmo, de modo a produzir paz
interior e felicidade. A palavra “filósofo” significa apenas amigo da sabedoria.
“Ser filósofo é o mesmo que ser bom”, escreveu Musônio Rufo no início da era
cristã. Ele ainda disse: “a filosofia consiste em ocupar-se da perfeita
honestidade e nada mais”(1).
É
verdade que os filósofos não dão muita importância às coisas de curto prazo.
Eles parecem ter quase todo o tempo do mundo à sua disposição, e raramente são
escravos do hábito de olhar para o relógio de cinco em cinco minutos. Além de
atuar nas situações do seu próprio tempo, as diferentes gerações de filósofos
dialogam com bastante naturalidade entre si, mesmo separadas umas das outras
por milênios. Um filósofo pitagórico diz algo no século 6 antes de Cristo e
outro filósofo responde no mundo romano, nos primeiros séculos da nossa era. A
polêmica tem outro momento importante nos séculos 18 ou 19, mas você pode
participar dela no século 21 e também retomá-la em sua próxima encarnação,
dentro de, digamos, uns 2000 anos.
A
virtude é um dos temas centrais da filosofia. O pitagórico Theages afirmou: “a
verdadeira virtude é o hábito de ficar dentro do que é adequado.” Musônio Rufo
definia a questão como um processo
científico-experimental: “a virtude é uma ciência não só teórica, mas também
prática, assim como a medicina e a música”. Para a filosofia clássica, a virtude é a capacidade de
viver corretamente, isto é, sem causar dor para si nem para os outros. Nesta
linha, o pitagórico Hipodamus concluiu: “A felicidade não pode durar sem
virtude, e a virtude nasce primeiro em quem é racional”.
A doutrina de Pitágoras ensina que para viver a felicidade e a iluminação do espírito é necessário purificar aalma de toda paixão humana. A idéia está certa.
Mas libertar a mente das ansiedades e preocupações em relação ao mundo externo é
uma tarefa de longo prazo. “O homem não é nem feliz nem bom por natureza, mas é
preciso disciplina e cuidados para alcançar bondade e felicidade”, escreveu o
pitagórico Hipodamus (2). “Para ser bom”,
disse ele, “o homem deve ter virtude. Mas para ter felicidade, ele deve ter boa
fortuna.”
A doutrina de Pitágoras ensina que para viver a felicidade e a iluminação do espírito é necessário purificar a
O que significa a palavra
“fortuna”, usada aqui por Hipodamus? Superficialmente, é apenas boa sorte. Mas, para a filosofia
esotérica, “boa fortuna” significa bom carma. Quem parece ser protegido pela
boa sorte está, na verdade, colhendo um carma positivo plantado antes, nesta
existência ou em uma vida anterior. É sempre recomendável aproveitar a
oportunidade atual, portanto, plantando mais bom carma agora, para ter o que
colher no futuro.
Hipodamus deu ainda outro
motivo para explicar por que nem todas as pessoas boas são felizes: “O homem bom
que busca o mundo divino é feliz; mas o homem bom que busca coisas de natureza
mortal é infeliz”. A
importância prática desta idéia é enorme. Embora sejamos bons, sofreremos
bastante se estivermos identificados com coisas passageiras. Mas, se possuirmos
a sabedoria e o desapego necessários, poderemos conhecer uma felicidade
duradoura. Isso nos leva a outro problema: administrar os momentos felizes
requer talento, porque é fácil apegar-se cegamente à satisfação e destruir a
fonte de felicidade. A chave para resolver o problema, segundo Hipodamus, está
na humildade e na busca contínua de inspiração
interior:
“O homem deve administrar
as coisas terrenas agradáveis buscando a virtude, assim como o piloto de um
barco navega nas águas observando as estrelas, mesmo quando o vento é favorável.
Aquele que faz assim não só
segue o ser sagrado, mas harmoniza o bem humano com o bem
divino.”
Segundo Hipodamus, a felicidade individual é inseparável
da felicidade coletiva: “Se não há harmonia e inspiração divina nos assuntos
diários, as coisas belas não podem permanecer em uma condição excelente. Se não
existe uma legislação justa na cidade, não é possível que o cidadão seja bom
ou feliz. Se não houver saúde, não será possível que o pé ou a mão sejam fortes
e saudáveis. (...) A harmonia, sem dúvida, é a virtude do mundo. A legislação
justa é a virtude de uma cidade. Saúde e força são a virtude de um corpo. Nestas
três coisas – o mundo, a cidade e o corpo – as partes vivem em função do todo
e do Universo.”
Onde está o alicerce da
nossa vida? Onde podemos
apoiar-nos? O filósofo Estobeu registrou que “a riqueza é uma âncora sem
firmeza; a glória tem ainda menos estabilidade, assim como o corpo físico ou o
poder pessoal e as honras. A prudência, a generosidade e a força interior são as
âncoras poderosas. Nenhuma tempestade pode sacudi-las.” De fato, podemos
evitar bastante sofrimento aprendendo a construir nossa vida sobre a base firme
da verdade, e não sobre coisas efêmeras.
Para os filósofos
clássicos, cada ser humano é autor e diretor de sua própria vida. Ele deve construí-la como quem faz uma obra de
arte. “Assim como numa estátua, todas as partes de uma vida
devem ser bonitas”, ensinou Estobeu. É melhor avançar pela vida e ganhar
experiência de modo integral e equilibrado. Todos os aspectos do nosso ser
devem participar da aprendizagem: deste modo, os pontos fracos são gradualmente
reduzidos e eliminados.
“Quem é escravo das suas
paixões não pode atingir a liberdade”, afirma o mesmo texto de Estobeu.
Aqui o filósofo questiona as
idéias superficiais sobre liberdade. Para
ele, obedecer aos desejos animais não é liberdade. A verdadeira liberdade surge
do ato de compreender os desejos exagerados como parte do ciclo da ignorância e da dor.
Livre deles, o amigo da verdade vive moderadamente. Este equilíbrio interior
traz felicidade. Traduzo mais quatro fragmentos preciosos de Estobeu sobre o uso
da palavra, a ética e a pureza:
* “Fique em silêncio ou diga algo melhor que o silêncio. (...) Um conhecimento científico do mundo divino faz com que o homem use poucas palavras”.
* “Fique em silêncio ou diga algo melhor que o silêncio. (...) Um conhecimento científico do mundo divino faz com que o homem use poucas palavras”.
*
“Quando um homem sábio abre sua boca, a beleza da sua alma fica à mostra, como
no caso das estátuas em um templo.”
*
“Aqueles que não punem os maus gostariam de agredir os
bons.”
*“Perceba o seu corpo como a roupa do seu espírito; e, portanto,
mantenha-o puro”.
Junto com a pureza e a
ética, uma das questões básicas da filosofia pitagórica é a da brevidade da
vida. Quando o cidadão
finalmente aceita este fato doloroso, ele encontra a paz. Hiparchus escreveu, em
seu tratado sobre a tranqüilidade:
“Já que os homens vivem
durante um período muito breve, se sua vida é comparada com o tempo todo que
existe, eles farão, digamos, uma viagem mais bonita se passarem pela vida com
tranqüilidade. Eles terão
tranqüilidade no mais alto grau se conhecerem cientificamente e com exatidão a
si mesmos, isto é, se reconhecerem que são frágeis e mortais, que têm um corpo
que pode adoecer e ser ferido facilmente, e que é ameaçado por muitas coisas
seriamente prejudiciais até seu último momento de vida (...) Mas as doenças que
atacam a alma são muito maiores e mais graves [que as doenças do corpo]. Porque
toda conduta injusta, má, ilegal e perversa da vida do homem se origina das
paixões da alma.”
Além de observar de que
modo a ignorância espiritual produz sofrimento, é preciso colocar em movimento,
de fato, a sabedoria em nossas vidas. Em seu Tratado Sobre o Homem Bom e Feliz, o pitagórico Architas
escreveu:
“Dos
bens, alguns são desejáveis em si mesmos, e não por causa de outras coisas;
outros são desejados por causa de um segundo objetivo e não por seu próprio
valor. Porém há alguns bens que são desejados tanto por seu próprio valor quanto
em função de outros objetivos. Qual é, vejamos, o bem desejável em si mesmo, e
não em função de alguma outra coisa? Evidentemente, é a felicidade. Porque nós
aspiramos outras coisas para alcançar a felicidade, mas não aspiramos à
felicidade para alcançar outra coisa qualquer. E quais são os bens que nós
desejamos em função de outra meta, e não por seu próprio valor? É evidente que
são as coisas úteis, que permitem obter objetivos desejados, como trabalhos corporais
e exercícios que criam bons hábitos no corpo, e também leitura, meditação e
estudo, que são realizados em função da virtude e de coisas belas. Mas quais
são as coisas desejadas por seu próprio valor, e também em função de outro
objetivo? Estas são as virtudes, e os bons hábitos que vêm com elas; as
decisões e ações deliberadas e conscientes, e tudo aquilo que acompanha o que é
realmente belo.”
Os pitagóricos ensinam
que o bem supremo é a justiça. Nada mais natural, porque justiça é apenas o nome ocidental da lei do
Carma, que governa o universo e também cada uma das suas partes. Theages
escreveu:
“A
justiça é aquilo que separa todos os erros e todas as virtudes da alma. Justiça
é uma certa ordem na combinação correta das partes da alma. É uma virtude
perfeita e suprema, porque todas as coisas boas estão contidas nela, mas as
outras qualidades positivas da alma não podem existir sem ela. Por isso a
justiça tem grande força tanto entre os deuses como entre os homens. Esta virtude contém o
laço pelo qual o todo e o universo são mantidos juntos, e pelo qual deuses e
homens mantêm contato.”
Para Theages, “a virtude
não está em eliminar os sentimentos da alma, mas em harmonizá-los. Porque a saúde, que é uma certa combinação
das energias do corpo, não é alcançada com a eliminação do que é quente ou
frio, úmido ou seco, mas sim com a combinação correta destes elementos. Assim
também, na música, a beleza não consiste em eliminar o agudo e o grave, mas,
quando eles são harmonizados, o acorde é produzido e a dissonância é eliminada.
(...) Deste modo, quando a raiva e o desejo são harmonizados, os vícios e
outras paixões são extirpados e a conduta é
regenerada.”(3).
Não
devemos, pois, buscar necessariamente a eliminação dos contrastes e das
dificuldades nas situações concretas da nossa vida. Situações fáceis muitas
vezes produzem grandes quantidades de preguiça, acomodação e rotina. Em
compensação, as situações difíceis e os grandes desafios nos forçam a
crescer.
As
verdadeiras causas do conflito e da ansiedade é que devem ser eliminadas. As
crises servem para alargar nosso horizonte. A incerteza do futuro nos faz
acordar para a necessidade de compreender a vida eterna e redescobrir
conscientemente a nossa vocação para o que é
infinito.
NOTAS:
(1)
Musônio Rufo em “Disertaciones, Fragmentos Menores”, Biblioteca Clásica Gredos,
Editorial Gredos S. A., Madrid., 1995. Ver pp. 59, 85,
87.
(2) A seguir, em várias
citações, traduzo trechos pitagóricos inéditos em português, incluídos em “Life
of Pythagoras”, de Iamblichus (Jâmblico). A tradução do grego é de Thomas Taylor, em livro editado em Londres
por John Watkins, 1926. Há uma excelente coletânea de material pitagórico
publicada nos EUA sob o título “The Pythagorean Sourcebook and Library”,
compilada por Kenneth Sylvan Guthrie, editada por Phanes Press , Michigan , em 1987, com 361
pp.
(3)
“Life of Pythagoras”, Iamblichus, 1926, obra citada, p.
170.
00000000000000000000000000000000000000000000
Comentário Final:
O Caminho da Moderação
Pitágoras nasceu na ilha
grega de Samos no início do século 6 antes da era cristã. Ele foi o primeiro sábio a chamar-se
filósofo. Foi com Pitágoras, de certo modo, que o pensamento ocidental alcançou
a maturidade. Apesar de nada haver escrito, sua sabedoria foi colocada no papel
por discípulos e marcou profundamente a civilização ocidental ao longo dos
últimos 2500 anos. Ele ajudou a sentar as bases não só da filosofia, mas da
matemática, da geometria, da música e da astronomia
modernas.
Há
uma continuidade evidente entre aspectos centrais das filosofias de Pitágoras,
Sócrates, Platão, do estoicismo e outras correntes de pensamento que alcançam
até o dia de hoje, como a moderna teosofia. Quanto mais passa o
tempo, a sabedoria pitagórica parece ficar mais atual. Ela está silenciosamente
presente nas diversas áreas do pensamento humano. Todo o mundo é influenciado
pelo pitagorismo, mesmo que nem todos saibam
disso.
Os
pitagóricos recomendam moderação em todas as situações da vida, o que se parece
muito – não por acaso – com o “caminho do meio” dos budistas. Segundo Helena
Blavatsky, Pitágoras trouxe para o Ocidente a “nova” religião de Gautama.
Buda e Pitágoras foram contemporâneos. A própria Blavatsky mostrou, no entanto,
que a influência do Egito e dos brâmanes da Índia sobre Pitágoras foi igualmente
grande e pode ter sido maior que a budista. De fato, as diferentes religiões e
filosofias compartilham a mesma sabedoria essencial.
(CCA)
0000000000000000000000000
Visite sempre www.filosofiaesoterica.com e www.teosofiaoriginal.com
0000000000000000000000000000000000000
Para
ter acesso a um estudo diário de teosofia original, escreva
a lutbr@terra.com.br e pergunte como é possível acompanhar o trabalho do
e-grupo SerAtento.


Nenhum comentário:
Postar um comentário